Cirurgia plástica de pele em queimados

A pele é o maior órgão do corpo humano e sua destruição pode levar a alterações locais e sistêmicas.

queimadura01Estas últimas são causadas por uma reação inflamatória generalizada causada pela queimadura e pode, geralmente, afetar os demais órgãos do corpo com maior ou menor gravidade. A extensão e a profundidade da queimadura dependerão da temperatura da fonte de calor e do tempo de exposição.

Os danos mais graves gerados pela queimadura podem se tornar um caso de vida ou morte e necessitam de cuidados especiais para prevenir infecções e reduzir a gravidade das feridas, pois lesões que atingem mais de 20% da superfície do corpo põem em perigo a vida, por desidratação“, explica a cirurgiã plástica Dra. Maria Carolina Coutinho (CRM-SP 113491), Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras/Regional São Paulo e integrante do corpo clínico dos Hospitais HCor, Santa Catarina, São Luiz e Pérola Byington.

Quanto maior a extensão da superfície corporal queimada e a profundidade da lesão, maior a gravidade. Por isso elas são dividas em:

Tratamento com cirurgia plástica

Cada tipo de queimadura requer um cuidado especial e específico, dependendo do agente causador, da extensão e da profundidade dos ferimentos. Mas qual o tratamento mais indicado em cada caso? De acordo com a cirurgiã plástica não há necessidade de nenhuma cirurgia nas queimaduras de 1º grau, pois elas são superficiais e cicatrizam sozinhas, onde são utilizados hidratantes e géis para aliviar a dor. As queimaduras de 2º grau já podem necessitar de reparo cirúrgico, principalmente as mais profundas.Dependendo da extensão, pode ser retirada aquela área queimada e suturada ou realizado um enxerto de pele, que é um autotransplante de pele íntegra de outra área do corpo para restaurar a pele perdida“.

as queimaduras de 3º grau sempre precisam de cirurgia para sua resolução, pois a pele é totalmente destruída e perde a capacidade de cicatrização. “Nesses casos é necessário pelo menos um procedimento cirúrgico para retirada da pele necrosada. Esta cirurgia é chamada de debridamento, feita sob anestesia e no centro cirúrgico. Em seguida é realizado o enxerto de pele, da mesma maneira, em geral em outro dia. Entre esses procedimentos as queimaduras são tratadas com curativos específicos e analgésicos“, esclarece a médica.

No Brasil não existe uma estatística que demonstra o número exato de pacientes que sofreram queimaduras e passaram por uma cirurgia plástica de reconstrução cutânea, pois muitas vezes ele é vítima de um acidente de carro, por exemplo, e também se queima; porém, na estatística aparece apenas como acidente automobilístico. “Em linhas gerais ocorre cerca de um milhão de acidentes com queimaduras por ano no país, desse um milhão, 100 mil necessitam de atendimento hospitalar com internação, sendo a maioria submetida a algum tipo de procedimento cirúrgico para a reconstrução da área queimada“.

Técnica cirúrgica

Hoje, a principal técnica cirúrgica utilizada é a enxertia de pele. Casos mais complexos, como queimaduras elétricas podem necessitar de técnicas mais elaboradas de correção com retalhos cutâneos, ou seja, transferência de pele e gordura, ou ainda com músculo associado. Nessa fase ainda podem ser usadas as matrizes de regeneração dérmica, que são um tipo de pele artificial. “Na realidade as matrizes não são a pele completa, mas somente a camada mais profunda (derme), feitas com colágeno de porco ou de boi. Elas são usadas em feridas de 3º grau extensas ou em áreas mais nobres como as articulações, e sobre elas também é necessária a colocação de um enxerto de pele do próprio paciente“, descreve a cirurgiã plástica.

Já a correção das deformidades tardias pode ser feita com outros enxertos, retirada das cicatrizes, sutura (quando pequenas, sendo transformadas em uma cicatriz linear, mais disfarçada), zetaplastias (um tipo de alongamento de cicatrizes com retração) e uso de expansores de pele. Esses dispositivos são como uma “bexiga” de silicone que é cirurgicamente posicionado abaixo de uma área de pele saudável próxima ao local da cicatriz e aos poucos ele é expandido com soro fisiológico por meio de uma punção com seringa e agulha, distendendo a pele e gerando uma sobra. Ao término, parte da cicatriz ou sua totalidade pode ser retirada e a pele expandida é deslocada para aquela região, trocando a cicatriz por uma pele lisa e saudável. Esse procedimento muitas vezes é feito de forma sequencial, até que se retire a maior parte da cicatriz.

Tempo para a reconstrução cutânea

A Dra. Maria Carolina Coutinho esclarece que as queimaduras que necessitam de debridamento e enxertia são operadas logo que o paciente tenha boas condições clínicas para passar pelo procedimento, em geral a partir do quinto dia pós- queimadura, no caso das lesões mais extensas. “É rotina aguardarmos cerca de 72 horas para a definição da profundidade da queimadura, a não ser em casos de 3º grau bem estabelecido”, relata a especialista. Queimaduras mistas ou intermediárias – predominantemente de 2ºgrau – tem maior chance de cicatrizar e, portanto pode-se esperar, no máximo, em torno de 14 a 21 dias, tratando com curativos próprios e com acompanhamento médico. Nessa fase, a principal preocupação do cirurgião plástico é restaurar a pele para refazer a barreira cutânea, que protege o corpo contra infecções, perda de líquidos e de calor. “Sempre que possível a reconstrução é feita de maneira mais estética possível, porém na fase aguda isso não é a principal prioridade“.

Já nos casos de sinais inestéticos resultantes de queimaduras, é necessário aguardar por até um ano com tratamentos associados na tentativa de melhorar o aspecto da cicatriz, com cremes específicos, malhas compressivas e placas de silicone. Também podem ser utilizados ácidos e lasers específicos. “Tais procedimentos são indicados para situações em que se busca melhoria estética somente. Quando a cicatriz causa retração com alteração funcional, ou seja, dificuldade de esticar o braço, por exemplo, devido a um quelóide no cotovelo, a cirurgia de reconstrução deve ser feita o quanto antes para corrigir a questão funcional“.

Em cirurgias desse tipo não existe caso de rejeição, já que a pele é do próprio paciente. Complicações que podem levar ao insucesso da cirurgia plástica em pacientes queimados são hematomas e infecções, principais causas de perda de enxertos. “É muito importante a atuação conjunta da fisioterapia no pós-operatório porque muitas vezes são necessárias posturas e posicionamentos específicos, como a hiperextensão do pescoço para aumentar a chance de sucesso e melhorar o resultado da cirurgia“.

Apesar de todo recurso empregado na cirurgia plástica para queimados, ainda há casos muito graves em que a reconstrução cutânea fica dificultada pelo excesso de cicatrizes e escassez de pele saudável, comprometendo o resultado.Alguns órgãos são mais difíceis para a realização da reconstrução do local afetado. Muitas vezes o resultado é decepcionante, como é o caso da reconstrução total da orelha que possui uma estrutura cartilaginosa com várias dobras. A porcentagem de sucesso depende muito do quanto essa estrutura foi afetada e da região lesionada“, finaliza a Dra. Maria Carolina Coutinho.

Dra. Maria Carolina Coutinho (CRM-SP 113491)

Graduada em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC) é Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras/Regional São Paulo, tem foco de atuação em Mama, Reconstrução Mamária e transplante de pele em queimados. Como cirurgiã plástica também realiza procedimentos de contorno corporal, otoplastia e pálpebras. Além de integrar o corpo clínico dos Hospitais HCor, Santa Catarina e São Luiz, a Dra. Carolina Coutinho também atua nos hospitais Pérola Byington, na área de Reconstrução Mamária e nas Unidades de Queimados do Hospital São Paulo (Unifesp) e da Santa Casa de Limeira, interior de São Paulo. www.mariacarolinacoutinho.com.br

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