Obsessão amorosa ou desequilíbrio emocional?

Psicoterapeuta Maura de Albanesi alerta: embora tudo pareça bonito, quando estamos apaixonados não conseguimos enxergar a realidade como ela é. Atitudes obsessivas demonstram um estado de desequilíbrio emocional, explica a especialista

namoro05Muitas pessoas confundem amor com obsessão e acham lindo viver em razão de alguém — e esquecer a si mesmo. Embora isso pareça bonito — afinal também é bom gostar de alguém — fique sabendo que você pode estar numa zona de perigo. Se o seu “amado” faz algo que você não gosta — mas você faz de conta que gosta ou finge que não viu; se você vive fazendo coisas para agradá-lo; se você se recrimina internamente por gostar de alguém; se dorme e acorda pensando no seu “amado”: cuidado! Todos esses podem ser sintomas de que você está em uma zona complicada de desequilíbrio emocional. “Isso não é amor: é uma obsessão. É uma paixão e a paixão é um desequilíbrio emocional!“, afirma a psicoterapeuta Maura de Albanesi, que tem mais de 30 anos de atuação na área.

Essas atitudes obsessivas (de pensar em demasia no outro) desenvolvem-se com a projeção, um mecanismo automático, no qual o apaixonado começa a ver características do outro que não condizem com o que o outro realmente é, explica a psicoterapeuta. “Na paixão você só está vendo o bom. Há casos de gente que se apaixona e só ela não percebe, por exemplo, que o cara é um bandido. Ela está enaltecendo um lado bom que às vezes nem existe. É uma projeção total, por isso que a paixão é um estado de desequilíbrio emocional“, analisa. E sentencia: “Então quando alguém está apaixonado, essa pessoa está desequilibrada psiquicamente porque ela não está vendo a realidade. Tanto que quando a paixão vai embora, ela se pergunta como foi gostar de alguém assim“.

Para sair dessa situação, a psicóloga sugere começar a olhar seus próprios atos e questionar se isso não está sendo criado. “E, ao perceber que está projetando, ela pode olhar concretamente o que a pessoa faz e falar sem a projeção. É um processo para trazer para o real. Porque existe, de fato, a questão da projeção e para sair disso, é necessário trazer dados reais. Como se você tirasse os óculos que sou ‘eu no outro’”, explica. Aliás, essa projeção explica, segundo a psicóloga, porque uma pessoa que não está na relação consegue enxergar melhor essa situação.

Paixão x Amor

Esse estado obsessivo é muito confundido com o amor. No entanto, Maura de Albanesi ressalta que o amor tem outras características. “O amor é quando você vai além do lado bom e olha o lado sombra da pessoa, ou seja, os defeitos, e você não se incomoda tanto com eles — mas sabe reconhecê-los. Quando os defeitos não são empecilhos.”

De acordo com a especialista, todos nós temos defeitos, mas só ama quem consegue enxergá-los e não ser afetado por eles. “Quando esse lado sombra não me desestabiliza, eu estou pronta para amar essa pessoa. O amor consegue entrar”, completa. Mas isso também só acontece quando a pessoa está preparada no sentido de amar a si mesmo: “O amor que você tem a si não pode estar em questão pelo amor que você sente pelo outro e nem tampouco pelo amor que o outro sente por você. Quando você não vê o outro como um objeto seu, você está pronto para amar. Na hora que eu amo e aquela pessoa tem que estar comigo para eu ser feliz, eu coloquei uma condição para minha felicidade em que eu dependo do outro.” Nesse caso, com a felicidade condicionada, o caminho para a frustração está aberto, de acordo com ela.

Mas apesar de todo o sofrimento que a paixão desperta, ela também tem um lado bom. “Tudo aquilo que você projeta no outro, na paixão, são qualidades que você tem e que não está reconhecendo que tem. Então uma forma também de sair dessa paixão é pensar que tudo que eu pensei que o outro era, é, na verdade, o que eu sou. E que isso às vezes não está tão claro para a pessoa, por isso ela projeta. Então são as qualidades adormecidas em mim que vão despertar no meu olhar pelo outro“, finaliza.

Maura de Albanesi

é psicoterapeuta com Mestrado em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduação em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos. www.mauradealbanesi.com.br

 Guilherme Zanette (MTB-SP 63.114)

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