Como sobreviver ao casamento na época da TPM?

Qual o impacto da TPM nos relacionamentos amorosos?

Segundo Marina Simas de Lima, psicóloga, terapeuta de casal e cofundadora do Instituto do Casal, a TPM é um fator importante nos conflitos conjugais, principalmente quando o (a) parceiro (a) não acredita ou não entende o que é a TPM.

Sabemos que a TPM é motivo de piadas e muitos homens não acreditam que ela é “real”. Porém, os sintomas físicos, emocionais e comportamentais afetam muito a mulher e interferem em todos os aspectos de sua vida, principalmente no casamento. Vemos na prática clínica que os conflitos são muito mais prevalentes na época que antecede a menstruação. É uma queixa recorrente dos parceiros, pois eles não sabem lidar com as mulheres e elas não sabem lidar com seus sintomas”, diz Marina.

Choro fácil, irritabilidade, ganho de peso, dor de cabeça e instabilidade emocional são alguns dos sintomas da Síndrome da Tensão Pré-Menstrual que atinge cerca de 80% das mulheres em idade reprodutiva, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina da Família (SBMF).

A TPM se manifesta a partir do 15º dia do ciclo menstrual e só desaparece com o início do fluxo menstrual, ou seja, a maioria das mulheres padece, pelo menos, metade do mês com os mais de 200 diferentes sintomas que a TPM pode causar.

Por que mulheres têm TPM e os homens não?

Para os homens, entender a TPM pode realmente ser muito difícil, já que eles não têm variação hormonal.

Enquanto os homens secretam regularmente a testosterona, as mulheres, durante o ciclo menstrual secretam estrogênio, progesterona e testosterona em diferentes quantidades, dependendo da fase do ciclo. Cada um deles influencia de uma maneira nas emoções, nos pensamentos, no modo de agir e de se relacionar”, diz Marina

Entender a o ciclo menstrual é a chave para evitar brigas no casamento

Nos primeiros 15 dias do ciclo menstrual, o estrogênio é o hormônio reinante. O que isso significa?

De acordo com Denise Miranda de Figueiredo, psicóloga, terapeuta de casal e cofundadora do Instituto do Casal, é um período de calmaria. “A mulher vai se sentir mais sensual, atraente, criativa e de bom humor. O raciocínio e os pensamentos ficam mais rápidos e ela terá mais facilidade para se relacionar. Nessa fase a testosterona também está mais elevada, aumentando a libido e até mesmo a sintonia com o parceiro”, explica Denise.

Porém, tudo muda a partir do 15º dia do ciclo, quando estrogênio e testosterona caem, dando lugar a progesterona. “Este hormônio tem a principal função de preparar o útero para a gravidez. Ele deixa a mulher mais retraída, com menos vontade de socializar ou de sair de casa. Fisicamente, a progesterona contribui para a retenção de líquido e aumento de peso, pois dá mais fome. A mulher pode se sentir mais sensível ou mais irritada. Algumas irão chorar à toa, outras podem se tornar mais agressivas e com menos paciência”, explica Denise.

Devemos lembrar que cada mulher irá reagir de maneira diferente, pois há outros fatores que podem interferir, como o ambiente social, familiar e outras condições. Se a mulher tem depressão, sofre de ansiedade, enfrenta problemas no trabalho, enfim, tudo precisa ser levado em conta, portanto, nem tudo é culpa da TPM”, diz Marina.

Dicas da especialistas

Uma boa maneira da mulher entender seu ciclo menstrual é fazer um diário. Nele devem ser anotados todos os pensamentos, sentimentos e sintomas. Isso pode ajudar a mulher e o casal, uma vez que será possível definir os dias em que é melhor não entrar em uma DR, assim como os melhores dias para sair de casa, se cuidar, namorar, etc.”, comentam as especialistas.

Outro ponto fundamental é procurar tratamento. A maioria das mulheres não busca tratamento para a TPM, mas hoje há uma gama enorme de terapias que podem ajudar a aliviar os sintomas, desde fitoterápicos até antidepressivos.

A psicoterapia também pode ser uma aliada nessa jornada. Por fim, o (a) parceiro (a) que ama e respeita sua parceira, precisa estar disposto a entender a TPM e ajudar a mulher a enfrentar essa fase. Como? Muito carinho, amor, atenção e porque não chocolate? Afinal, tudo isso ajuda a regular os hormônios do bem-estar, como a serotonina e a endorfina”, finalizam Denise e Marina.

Leda Sangiorgio

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