Fitoesteróis: o que os estudos trazem de novo?

Conhecido como mau colesterol, o fitoesterol vem ganhando destaque
entre pesquisadores e cardiologistas há alguns anos.

fitoesterois01Dra. Maria Cristina Izar, Dra. Celma Muniz Martins e Dr. Francisco Fonseca Bastante citado pela sua ação na redução do LDL-colesterol (lipoproteína de baixa densidade), conhecido como mau colesterol, o fitoesterol vem ganhando destaque entre pesquisadores e cardiologistas há alguns anos. A Associação Americana do Coração¹ recomenda uma ingestão diária de 2g desta substância e o Programa Nacional de Educação do Colesterol sugere um consumo de 2g a 3 g de esteróis vegetais para reduzir os níveis do LDL-colesterol. Essas recomendações são baseadas em estudos, incluindo uma meta analise de 41 ensaios clínicos, que mostram que a ingestão de 2g de fitosterol pode reduzir o LDL-colesterol em 10%.

Porém, a média de ingestão diária da substância pode variar de 100mg/d a 400 mg/d, dependendo do tipo de dieta e país. Para uma melhor compreensão da associação entre fitoesteróis, hipercolesterolemia e saúde cardiovascular é necessário obter informações sobre a quantidade deste componente consumida pelas diferentes populações. No Brasil esta informação ainda era desconhecida.

Nosso grupo de pesquisa do Laboratório de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da UNIFESP publicou em fevereiro deste ano o estudo “Fontes comuns e composição de fitoesteróis e seu consumo estimado pela população da cidade de São Paulo”. Este estudo transversal foi realizado com 1.609 indivíduos de ambos os sexos. O cálculo de tamanho amostral foi baseado no Censo de Dados do IBGE (2010) e incluiu indivíduos adultos residentes na cidade de São Paulo. Para avaliar o consumo habitual de alimentos derivados de plantas foi utilizado um questionário de frequência alimentar que foi validado para estudos populacionais.

Fontes comuns de esteróis de plantas foram identificadas e representadas como porções para calcular a ingestão diária, que foi estimada em termos de mg por 100g (mg/100 g-¹) da porção comestível. Para a estimativa da ingestão diária total da substância foi adicionado o teor de fitosterol de óleo de soja (20 ml), que é o tipo e quantidade de óleo vegetal mais consumido no Brasil de acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) para a cidade de São Paulo, que é um levantamento da aquisição de alimentos em todas as regiões geográficas e econômicas da cidade.

De uma maneira geral, o nosso estudo demonstrou que a ingestão de fitoesteróis naturalmente presentes na dieta do paulistano fica em torno de aproximadamente 100mg/d , quantidade muito aquém das recomendação para obter o benefício de redução do colesterol. Esta estimativa está próxima dos valores reportados por Vries ²para a Itália (132mg) e Japão (137mg), porém mais baixos do que os valores dos Estados Unidos (170mg), Sérvia (181mg) e Grécia (276mg). Ingestão diária de fitoesteróis (próxima à dos Estados Unidos) foi reportada por Morton³ para o Reino Unido (163mg) e por Jiménez-Escrig4 para a Espanha (276mg), Holanda (285mg), Finlândia (271mg), China (322mg), sendo os maiores valores observados para o México (400mg).

A análise da composição dos fitoesteróis em alimentos vegetais mais consumidos indicou que o conteúdo deles (em mg/100g da porção comestível) variou entre os grupos de alimentos. A quantidade de fitoesteróis presentes nos brócolis (5,6mg), nas cenouras (16,2mg), e no repolho (5,2mg) foram mais altas do que aquelas obtidas para outros vegetais. O grão-de-bico, a linhaça, soja e as ervilhas verdes apresentam o maior teor de fitoesterol. Os frutos também apresentaram uma alta quantidade da substância, especialmente o abacate (25,7mg), coco (14,4mg) e laranja (15,3 mg). Finalmente, a maioria dos óleos vegetais foi identificada como importante fonte de fitoesterol.

O teor de esteróis nos óleos vegetais é maior do que nos outros grupos de alimentos, sendo que no óleo de milho foi encontrada a maior quantidade, seguido por canola, girassol e de soja.

Para concluir, uma dieta rica em fitoesteróis inclui o consumo de legumes, cereais, sementes, brócolis, cenoura, abacate, laranjas e óleos vegetais. Para que os benefícios no tratamento da hipercolesterolemia e consequente redução do risco cardiovascular sejam alcançados, a dieta pode ser complementada pelo consumo de alimentos enriquecidos com fitoesteróis, como cremes vegetais. Reduzir a ingestão de colesterol e gordura saturada e incluir o consumo de fibras também são recomendados para o tratamento da hipercolesterolemia, sempre associado a hábitos de vida saudáveis, como a prática regular de atividades físicas.

Dra. Maria Cristina Izar

é cardiologista, Livre Docente em Cardiologia e Professora afiliada da Disciplina de Cardiologia da UNIFESP.

Dra. Celma Muniz Martins

é nutricionista, Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo.

Dr. Francisco Fonseca

é cardiologista, Coordenador do Setor de Lípides, Arterosclerose e Biologia Vascular da Universidade Federal de São Paulo.

Referências:

Martins CM, et al., Common Sources and composition of phytoesterols and their estimated intake by the…, Nutrition (2013), http://dx.doi.org/10.1016/j.nut.2012.12.017

  1. American Heart Association Nutrition Committee, Lichtenstein AH, Appel Lj, Brands M. Carnethon M, Daniel S, Franch HA, et al. Diet and lifestyle recommendations revision 2006: a scientific statement from the American Heart Association Nutrition Committee. Circulation 2006;114:82-96.
  2. de Vries JHM, Jansen A, Kromhout D, van de Bovenkamp P, van Staveren WA, Mensik RP, Katan MB. The fatty acidand sterol content of food composites of middle-aged men in seven countries. J Food Comp Analysis 1997;10:115-41.
  3. Morton GM, Lee SM, Buss DW, Lawrance P.Intakes and major dietary sources of cholesterol and phytosterols in the British diet. JHum Nutr Diet 1995;8:429-40
  4. Jiménez-Escrig AJ, Santos-Hidalgo AB, Saura-Calixto F.Common sources and estimated intake of plant sterols in the Spanish diet. J Agric Food Chem 2006;54:3462-71

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