A Cirurgia Bariátrica e o Diabetes tipo 2

Novos estudos comprovam eficácia da cirurgia bariátrica
no controle do diabetes tipo 2

Pesquisadores brasileiros, norte-americanos e europeus concluem que o
tratamento cirúrgico beneficia diabéticos com obesidade e até mesmo sobrepeso

Estudos anunciados nessa semana pela conceituada publicação New England Journal of Medicine apontam as vantagens da cirurgia bariátrica e metabólica em relação à terapêutica a base de remédios no tratamento da obesidade associada ao diabetes do tipo 2.

A pesquisa “Bariatric surgery dramatically outperforms standard treatment for type 2 diabetes”, desenvolvida conjuntamente por médicos da Universidade Católica de Roma e do Centro Médico Weil Cornell de Nova Iorque acompanhou 60 pacientes, na faixa entre 30 e 60 anos, com Índice de Massa Corporal (IMC) a partir de 35 kg/m2, histórico de no mínimo cinco anos com diabetes e nível de hemoglobina glicada (marcador do controle do diabetes) a partir de 7%. O grupo foi dividido em três tipos de tratamento: cirurgia de bypass gástrico, cirurgia de derivação biliopancreática e terapia clínica, com remédios, dieta e exercícios físicos.

Após dois anos, a taxa média de glicose diminuiu em todos os grupos, porém, a remissão do diabetes, ou controle da doença sem uso de remédios, foi verificada somente nos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica – 75% e 95% dos operados pelas derivações em Y-de-Roux e biliopancreática, respectivamente. Nesses casos, houve melhorias significativas nos níveis de glicemia, colesterol e triglicerídeos, que contribuíram para a redução dos riscos cardiovasculares.

Nos Estados Unidos, o estudo “Bariatric surgery vs. intensive medical theraphy in obese patients with diabetes”, desenvolvido pela Cleveland Clinic Bariatric and Metabolic Institute e coordenado pelo cirurgião Philip Schauer, selecionou 140 obesos com diabetes do tipo 2, idade entre 20 e 60 anos e IMC entre 27 e 43 kg/m2. Deste total, 51 pacientes tinham IMC abaixo de 35 kg/m2. Testado durante um ano, o grupo foi organizado em pacientes tratados apenas com remédios e outros com cirurgia bariátrica (técnicas derivação em Y-de-Roux e gastrectomia vertical) mais remédios.

A redução da hemoglobina glicada para 6% ou menos ocorreu em 12% do grupo tratado exclusivamente com remédios (5 de 41 pacientes), em 42% dos operados com o by-pass em Y-de-Roux (21 de 50 pacientes) e 37% com gastrectomia vertical (18 de 49 pacientes). Os operados também perderam mais peso (24 kg a 29 kg) que os demais pacientes (5,4 kg). O uso de drogas para redução de glicose, lipídios e pressão arterial diminuiu bastante após os procedimentos cirúrgicos e, ao contrário, aumentou entre os obesos diabéticos tratados a base de remédio. O uso de insulina manteve-se alto em 38% do grupo de tratamento clínico e em doses menores para 4% e 8% dos grupos operados por derivação em Y-de-Roux e gastrectomia vertical, respectivamente.

Brasil – A eficácia da cirurgia bariátrica no tratamento do diabetes tipo 2 também foi comprovada no Brasil pela maior pesquisa de longo prazo já realizada no mundo sobre os efeitos do by-pass gástrico em diabéticos com obesidade leve. Coordenado pelo cirurgião Ricardo Cohen, do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, o estudo “Effects of gastric by-pass surgery in patients with type 2 diabetes and only mild obesity” será divulgado ainda neste semestre em uma das mais referendadas publicações científicas sobre diabetes.

No estudo, 66 obesos com IMC entre 30 e 35 kg/m2 foram submetidos à operação de Y-de-Roux por videolaparoscopia (menos invasiva) e monitorados ao longo de seis anos. A remissão do diabetes foi constatada em 88% dos pacientes. Também houve melhoria do nível glicêmico em 11% dos pacientes, mesmo com a supressão de medicamentos antidiabéticos na maioria dos casos.

Nosso experimento atestou que a cirurgia melhora seguramente o diabetes e as comorbidades associadas e ainda reduz os riscos cardiovasculares, mesmo em pacientes com IMC mais baixo. O tratamento cirúrgico diminui a resistência do organismo à insulina, ou seja, restabelece a função da célula-beta, responsável pela secreção de insulina. Estamos muitos satisfeitos porque foi evidente a melhoria geral nas funções metabólicas e hormonais dos pacientes”, explica Cohen.

Segundo Ricardo Cohen, que também preside a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a tendência é que o IMC deixe de ser o único parâmetro para a indicação cirúrgica. “O critério mais importante deverá ser a avaliação clínica global do paciente para se examinar, por exemplo, a existência de síndrome metabólica e a gravidade de doenças crônicas associadas como o diabetes tipo 2”, analisa. “Os estudos mostram que a mortalidade decorrente do diabetes não tem relação direta com IMC elevado. Os primeiros sinais da doença podem aparecer mesmo em pessoas mais magras. Isso significa que, apesar da aparência saudável, essas pessoas possuem excesso de gordura maligna, que pode esconder diversas doenças”, completa o médico.

Novo critério – Para os coordenadores da pesquisa de Nova Iorque e Roma, Francesco Rubino e Geltrude Mingrone, testes como este vêm comprovando que idade, gênero, IMC pré-operatório, histórico do diabetes e perda de peso pós-operatória não têm sido fatores determinantes na remissão do diabetes tipo 2.

Nossas conclusões apontam que os efeitos da cirurgia bariátrica no diabetes tipo 2 podem ser atribuídos mais aos mecanismos da cirurgia do que às consequências da perda de peso. Estudar os verdadeiros mecanismos pelos quais a cirurgia melhora o diabetes pode nos ajudar a entender mais a doença”, observou Dra. Mingrone.

Estudo do Centro Médico de Weill Cornell, ainda não finalizado, está comparando a cirurgia de by-pass gástrico e o tratamento medicamentoso em pacientes com sobrepeso e obesidade leve (IMCs entre 26 e 35 kg/m2). A experiência do Dr. Rubino tem mostrado que o by-pass ativa mecanismos de controle do diabetes e das doenças metabólicas, antes e independentemente da perda de peso.

O IMC não diz muito sobre a severidade do diabetes, seu poder de causar complicações e os mecanismos da doença. Os estudos mostram que adotar somente o critério de IMC é inapropriado para pacientes com diabetes”, explica o médico. Segundo ele, é um desafio tratar obesos diabéticos porque a terapia com insulina e remédios hipoglicêmicos frequentemente causa ganho de peso nos pacientes.

Os novos estudos, como este do Brasil e os anunciados agora pela New England Journal do Medicine, corroboram a diretriz da Federação Internacional de Diabetes que recomenda a cirurgia bariátrica para IMC a partir de 30 kg/m², contanto que o paciente seja diabético ou tenha predisposição à doença. A diretriz, publicada em março de 2011, contou com o apoio de mais de 200 entidades médicas de 160 países. As normais nacionais e internacionais em vigor indicam a cirurgia bariátrica como opção de tratamento para pacientes com IMC a partir de 35 kg/m² com doenças associadas ou acima de 40 kg/m², sem a presença obrigatória de outras enfermidades.

Sobre a SBCBM

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) é a entidade que congrega os médicos especialistas no tratamento cirúrgico da obesidade. Tem como objetivo disseminar conhecimento sobre os diversos tipos de intervenções cirúrgicas, tanto para profissionais de saúde quanto para a população em geral. A SBCBM também trabalha para promover a inovação na cirurgia bariátrica e incentivar o uso de técnicas avançadas, minimamente invasivas e mais eficazes, permitindo o acesso de um maior número de pacientes a essas técnicas.

Mais informações estão disponíveis no site www.sbcbm.org.br.  

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E-mail: carlos.alessandro@ketchum.com.br
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