Patologias de Verão

É durante a estação mais quente do ano que muitas doenças surgem com mais intensidade. Veja abaixo, as mais comuns e como tratá-las.

O verão, de fato, é a estação do ano mais esperada e desejada pelos brasileiros. É época de sol, calor, férias, praia, enfim, é o momento ideal para pôr um chinelo e exibir o corpo malhado adquirido durante horas nas academias e clínicas estéticas nas outras estações. Mas é aí que mora o perigo. Para que a estação seja perfeita, é importante relembrar algumas dicas preciosas e tomar alguns cuidados para aproveitar todos os momentos de relaxamento e diversão.

Evidentemente, quem vai à praia veste pouca roupa, usa sandálias ou anda descalço pelas calçadas e areias. Nesse momento, lesões de pele que não estão aparentes nas demais estações, mas existem há muito tempo, podem aparecer. Pode acontecer na hora de vestir uma bermuda ou um biquíni. Por outro lado, a exposição da pele à água e areia, por exemplo, permite o aparecimento de lesões cuja incidência é mais comum no verão.

De acordo com a dermatologista formada pela Unifesp e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, Mônica Carvalho, as doenças mais conhecidas são a micose e a herpes, mas existem muitas outras patologias que aparecem com freqüência na época do verão. “A herpes simples, principalmente a labial, é uma doença freqüente nos períodos de maior exposição ao sol”, comenta. É causada pelo vírus herpes simples tipo 1, adquirido normalmente na infância e adolescência, surgindo em surtos esporádicos durante a vida adulta. O tratamento pode ser tópico ou oral.

Já a micose é uma doença causada por fungos, que são limitados à pele, aos pêlos, as unhas e às mucosas. “Os fungos que transmitem a micose podem ser de origem humana, animal ou do solo e aparecem em locais úmidos, como a areia da praia”, alerta Dra. Mônica. Na maior parte das lesões localizadas, o tratamento tópico (em creme) é suficiente para a cura.

Veja abaixo, outras doenças comuns no verão

Câncer de pele

O câncer de pele mais comum é o carcinoma basocelular (CBC), e o mais grave é o melanoma. O CBC ocorre geralmente após os 40 anos, tendo como principal fator de causa a exposição à luz solar, principalmente para quem tem a pele clara. Geralmente começa com uma pápula (pequena bola) rósea, que tende a sangrar. O melanoma ocorre entre os 30 e 60 anos de idade. O fator genético é importante, mas o grande vilão do melanoma, na verdade, é a exposição crônica e contínua ao sol.

Queratose solar

Também chamada de queratose actínica. Caracteriza-se por apresentar lesões queratósicas, rugosas, com escamas amareladas ou acastanhadas, aderentes e secas. Ocorre principalmente nas mãos, face, antebraços, decote, orelhas, couro cabeludo em calvos. Evitar a exposição cumulativa ao sol durante a vida inteira é a melhor maneira para prevenir. O tratamento é cirúrgico e a recuperação é total.

Queimadura solar

É uma reação aguda que consiste na formação de eritema (vermelhidão), inchaço, dor local e nos casos mais intensos, queimadura de segundo grau e formação de bolhas. As lesões cutâneas dependem basicamente da intensidade da radiação e do tipo de pele. Os indivíduos de pele mais clara reagem com maior intensidade a menores doses de ultravioleta. O maior responsável é o ultravioleta B. A principal causa é a permanência por horas seguidas exposta ao sol sem protetor solar. Dependendo do caso, com o aparecimento de bolhas ou não, há tratamento, com o uso de corticóide, por exemplo.

Micoses superficiais

Compreendem grupos de patologias causadas por fungos. As infecções dos pés são bastante comuns e se apresentam com descamação e maceração da pele dos espaços entre os dedos, podendo ocorrer fissuração e coceira. O tratamento é feito com antimicóticos em creme ou via oral, dependendo do caso. Há algumas medidas importantes na prevenção dessas doenças: evitar períodos prolongados com roupas úmidas, fazer a higiene adequada e constante das dobras do corpo e não compartilhar roupas e toalhas.

Pitiríase versicolor (Pano branco)

Infecção causada por fungo chamado pityrosporum ovale, extremamente comum em climas quentes e úmidos. Clinicamente, apresenta-se com manchas acompanhadas de descamação, de cor variável, justificando o termo versicolor. As lesões situam-se habitualmente no pescoço, tórax e raízes dos membros superiores. O tratamento é feito via oral, quando necessário, com cetoconazol em forma de xampu e derivados. Na realidade, as pessoas que apresentam esta patologia já apresentam tendência ao problema.

Foliculites

São piodermites (infecções de pele) que se iniciam no folículo piloso do cabelo. São doenças universais e acometem todas as idades. Geralmente causadas por bactérias chamadas estafilococos. O tratamento é feito com antibióticos dependendo do grau em que se encontra. Como o pelo é o principal causador da infecção, fazer depilação a laser é o ideal para evitar esta patologia.

Urticária solar

As urticárias são erupções caracterizadas pelo aparecimento súbito de lesões edematosas (que apresentam inchaço) de duração efêmera e que causam muita coceira. Podem aparecer em algumas regiões ou no corpo todo. As lesões individuais de urticária persistem por algumas horas, surgindo outras lesões em outras áreas. A descoberta do agente causal pode ser extremamente difícil, pois são causas possíveis de urticária: medicamentos, alimentos como peixes e mariscos, crustáceos, carne de porco, ovos, leite, inalantes, infecções, parasitoses, agentes físicos (luz, calor, frio, pressão) e fatores psicogênicos.

A urticária solar é uma forma rara de doença da pele na qual surgem lesões pela exposição à luz solar. O tratamento é com medicação à base de antialérgicos.

Desidratação

A desidratação é a perda de líquidos e sais minerais do corpo. Normalmente, perdemos em média dois litros de água por dia, seja pela urina, fezes, suor ou até mesmo pela respiração. Essa perda pode ser aumentada por vários fatores no verão, como o aumento da transpiração, vômitos e diarréias (alterações provocadas pela ingestão de alimentos contaminados) que são mais freqüentes no verão. Quando uma pessoa está desidratada, fica irritada, apresenta sede, fica muito tempo sem urinar, com a boca e mucosas secas, olhos ressecados e fundos.

A desidratação pode ser grave e, por isso, deve ser evitada. Algumas dicas importantes para prevenir a desidratação são: prefira local arejado e com sombra, use roupas leves, ingira constantemente líquidos e cuidado com os alimentos consumidos. O soro caseiro pode ser utilizado no tratamento. Ele deve ser feito misturando uma colher de chá de açúcar e uma colher de café de sal em um litro de água. Deve-se oferecer à pessoa desidratada à vontade a cada 30 minutos e após cada evacuação no caso de diarréia. Há situações em que a desidratação se torna mais grave, sendo necessário o atendimento hospitalar.

Dra. Mônica Carvalho
Médica formada pela Escola Paulista de Medicina UNIFESP
Especialização em dermatologia pela UNIFESP
Especialização em dermatologia infantil e dermatoscopia (estudo detalhado das “pintas” – nevos do corpo) pela UNIFESP Inúmeros cursos na área de dermatologia cosmética. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.
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